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Ex-diretor diz que Geddel era 'chorão' ao pedir doações da Odebrecht

15/04/2017 16h13
Em delação, Cláudio Melo Filho disse que ex-ministro reclamava valores acima do combinado; baiano disse que não comentaria suspeita de receber propina.
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Ex-diretor diz que Geddel era 'chorão' ao pedir doações da Odebrecht
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em depoimento de delação premiada, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho contou que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) era “chorão” ao pedir contribuições da empresa para campanhas eleitorais. Ao relatar um suposto caso de pagamento de propina, Melo afirmou que ele reclamava para receber valores da empresa acima do combinado. “Ele era um chorão [...] Me perdoe até o termo, ele reclamava. ‘Não é possível que você não possa fazer nenhum esforço'”, disse o ex-executivo, reproduzindo conversa com Geddel. “E eu disse: 'Ô senhor Geddel, o senhor participa da reunião, o senhor vai lá e fala com o presidente da empresa’”, completou. Claudio Melo contou que, em 2008, destinou a Geddel R$ 210 mil de um contrato da Odebrecht no Piauí para uma obra pública denominada “Tabuleiros Litorâneos da Parnaíba”. Na época, o baiano era ministro da Integração Nacional no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Cláudio Melo, o dinheiro foi repassado por meio de caixa dois, de forma não declarada à Justiça, e foi usado em campanhas do PMDB na Bahia para as eleições municipais daquele ano. O ex-executivo disse que tinha uma relação de amizade e chegou a presenteá-lo com um relógio de R$ 50 mil, pagos pela Odebrecht. Também contou que, a seu pedido, Geddel apresentou uma vez uma emenda numa medida provisória de interesse da Odebrecht, na época em que era deputado. “Eu não fiz nenhum outro pedido a ele, mas tenho certeza que se fizesse ele atenderia”, disse Melo. Numa planilha anexada à delação, Geddel aparece sob o codinome "Babel" como destinatário de "1.500", valor possivelmente correspondente a R$ 1,5 milhão. Na lista de 53 políticos, ele foi o que mais recebeu recursos. (G1)

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